Design  | 03.05.2013 | Luciane Bohrer

Stefan Sagmeister: criatividade absoluta
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Você acorda todo dia e vai fazer o que sabe fazer de melhor. E, na manhã seguinte, tudo se repete. Diariamente, é preciso buscar maneiras diferentes de executar as mesmas tarefas. O tédio não pode importunar suas ideias. Mas como manter a novidade em meio a tantos processos iguais? O top designer Stefan Sagmeister continua criando obras incríveis e inovando o seu trabalho mesmo depois de tanto tempo inventando as coisas mais incomuns da face da Terra. Duvida? Então confira nas próximas linhas a mente ilimitada deste gênio da arte e pensador da vida.

Austríaco, radicado em Nova York, Stefan Sagmeister tem no currículo um diploma de design gráfico na Universidade de Artes Aplicadas de Viena. Mas, muito antes da conclusão do curso, quando ainda era adolescente, as artes já o influenciavam. Sua carreira começou aos 15 anos em uma revista cult para jovens leitores. Stefan era apaixonado por música e louco por capas de álbuns. Costumava ficar horas contemplando os discos e acabou ficando fascinando por essas criações. Mais tarde, virou o autor de capas para os Rolling Stones (é dele o design da capa de "Bridges to Babylon"), para o Talking Heads (o box "Once in a Lifetime"), David Byrne, Live e Lou Reed.

Sagmeister trabalhou com vários nomes importantes do design, como Tibor Kalman e Leo Burnett, até abrir seu próprio estúdio e alcançar vôos solos mais altos. Fora da música, ele fez grandes projetos com outros grandes clientes, como Adobe, BMW, HBO e Chartered Standard Commercial Bank. Tem uma lista de indicações e prêmios invejáveis. Foi indicado ao Grammy pela capa do álbum “Mountains of Madness” da banda alemã H. P. Zinker. Em 2008, ganhou o  “The Lucky Strike Designer Award” um dos mais importantes prêmios internacionais na área do design, que paga aos vencedores um cheque de 50 mil euros.

Aos 49 anos, já se aventurou na literatura quando lançou o livro “Things I Have Learned In My Life So Far”. Inovou quando resolveu instituir o ano sábatico em sua vida e difundí-lo em palestras pelo mundo. A cada sete anos, o designer para todos os seus projetos comerciais e se dedica unicamente a buscas pessoais em nome de mais e mais inspiração. Ele resolveu antecipar sua aposentadoria, dividindo esses anos de descanso mental que temos somente ao chegarmos à velhice, no meio da sua vida profissional. Para ele, tem dado certo.

Seu novo desafio envolve as câmeras de vídeo. Sagmeister quer fazer um filme sobre a alegria, que vai se chamar “The Happy Film”. Enquanto isso, o museu Les Arts Décoratifs, de Paris, expõe mais uma mostra de trabalhos de Sagmeister, "STEFAN SAGMEISTER, Another exhibition about promotion and sales material". E você aí achando que tinha muita coisa pra fazer e muitos compromissos pra lidar, né? Pois Stefan Sagmeister ainda achou um tempinho pra conversar com a gente e compartilhar ideias sobre a vida, o tédio, o design e a felicidade.

Eu estava lendo algumas entrevistas suas e fiquei um pouco preocupada. Parece que todo mundo já perguntou a você sobre tudo e é tão chato responder sempre às mesmas perguntas. Então, como lidar com a chatice da repetição e o tédio? Você se importa de fazer as coisas de novo e de novo?

Este é de fato um dos maiores desafios de ser um designer, talvez um dos maiores desafios do ser humano. Como manter-se interessado na única coisa que se faz se temos que fazer tudo de novo e de novo? As estratégias que temos desenvolvido no estúdio são experimentais. No ano sem cliente que fazemos a cada sete anos, vamos à procura de novas áreas de design para nos engajarmos. Nossa equipe começou com projetos bem focados em 1993, com desenhos para a área da música - e agora ampliamos tanto que trabalhamos desde mobiliário até documentários.

Depois de todas essas experiências que você passou, você não é “apenas” um designer. Você é uma pessoa que sugere maneiras de viver para as pessoas. Talvez um filósofo moderno. Como você chegou até aqui?

Eu vejo tudo isso como design. Eu sempre senti que a ideia que o designer deve manter-se fora dos projetos que ele desenvolve como um estranho, design não é apenas sobre a vida, design tem que ser design para ser considerado como tal. Eu ficaria muito relutante em me denominar um filósofo, uma vez que essa titulação pressuporia conhecimento, educação, formação, que eu não tenho. Eu sou apenas uma pessoa que está viva e que é um designer.

Quantas pessoas trabalham com você atualmente? E no ano sabático, como foi para a sua equipe?  

Nós somos um pequeno time: eu, dois grandes designers, Jessica Walsh e Phillip Hubert, e dois assistentes que mudamos a cada três meses. A situação durante os anos sabáticos foram as seguntes: no primeiro ano, Hjalti Karlsson and Jan Wilker trabalhavam comigo. Eles abriram seu próprio escritório e ainda somos amigos. No segundo, Joe Shouldice era meu colega. Ele ficou em NYC terminou longos trabalhos que ainda estavam em execução.

Como você teve essa ideia de antecipar a aposentadoria e distribuí-la  entre os anos de trabalho?

O impulso original para o primeiro ano sabático teve muitos pais, entre eles Ed Fella que foi visitar o estúdio trazendo uma série de seus experimentos fantásticos executados em um sketchbook com uma caneta esferográfica de quatro cores. Quando ele disse, brincando, que estava fazendo uma arte de saída de cena, eu pensei “que pena que se faz esse tipo de coisa só com 60 anos”. Este trabalho teria tido um impacto muito maior no meio de uma vida de trabalho, quando seria intercalado com regularidade ao longo da profissão. A morte precoce de Tibor (Kalman, famoso designer, amigo de Sagmeister) também desempenhou um papel importante. Como qualquer morte, esta nos lembrou que o nosso tempo aqui é finito e que é melhor usá-lo tão bem quanto pudermos. Como eu fiz o primeiro ano quando eu tinha 38, o segundo com 46, tenho apenas mais dois anos sabáticos para ir antes da idade de aposentadoria de 65 anos. Eu acho que é muito mais útil tirar estes anos mais cedo, divididos ao longo da minha vida profissional, ao invés de colocá-los todos no fim da vida. Ferran Adrià, que é considerado por muitos como o melhor chef do mundo, fecha seu restaurante ao norte de Barcelona seis meses por ano, mantendo uma equipe de cozinha completa, a fim de fazer experimentos. Isso é: 50% do seu tempo é dedicado para a experimentação, comparado ao meu insignificante percentual de 12,5%. Meu próximo período sabático será em 2016.

Você acha que pertence a algum lugar, identifica raízes, ou se considera mais um cidadão do mundo?

Eu me sinto muito austríaco. É na Áustria que estão meus irmãos, minhas irmãs e foi lá que passei os anos mais importantes que formaram quem eu sou.

Como você se sente tendo o seu trabalho exposto nos museus mais importantes do mundo?

Eu estava quase escrevendo aqui, “muito bem”. Mas a triste verdade é que não é muito importante para o meu bem-estar. Eu até gostaria que fosse.

Como está o seu filme e como você está se sentindo por experimentar novos papéis e funções?

Eu sempre me interessei em melhorar o meu ambiente e meu bem-estar, afinal, por que estar interessado em qualquer outra coisa? A maioria das coisas que eu faço, todos os dias, são de alguma forma orientada para esse objetivo, muitas vezes não de uma maneira muito direta. E parecia um desafio maior fazer isso em um filme ao invés de desenhar e imprimir. Experimentar um novo meio de comunicação me ajuda a não ser tão complacente. Posso falhar miseravelmente, mas se eu tiver obtido um pouquinho mais de felicidade no processo, deve ter valido a pena o meu tempo investido.

Você já descobriu o sentido da felicidade?

Eu adoraria encontrar uma resposta para essa pergunta. Afinal, será que é possível treinar a nossa própria mente, da mesma forma que conseguimos treinar nosso corpo? Enquanto vários psicólogos sérios estão convencidos de que esta é a resposta, eu adoraria encontrar provas para mim, e para todos, de que é um exercício possível.

Designer, escritor, diretor de cinema, o que vem a seguir?

Isto é tudo ser designer, designer, designer. Meu pouco de escrita é design, assim como é o meu pouco de fazer filme.

Uma vez você disse que quando tinha 17 anos sua coleção de discos dizia quem você era. O que te descreve agora?

A lista de das últimas 50 exibições que eu visitei. E, em alguns anos, espero que o filme que eu fiz.

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