Insight  | 23.05.2013 | Marina Seibert Cézar

Ideias e estéticas: a hora do tudo ou tudo
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. Colagem de Eduardo Biz


Se me permitem profetizar, imagino que este exato momento em que vivemos será analisado futuramente, da mesma forma como hoje enxergamos a década de oitenta. Ou seja, na época tudo fazia muito sentido, e não era over usar uma legging pink de academia com um blazer limão de ombros volumosos, coturnos e cabelo mega topetudo amarrado com um lenço estampado. Pensem: naquele tempo, estávamos celebrando uma maior abertura de mercados e aprendendo a desapegar de certas normativas do vestir. Foi essencial para enfim apreciarmos a moda japonesa e seus criadores, por exemplo.

É por isso que os excessos na autoimagem de hoje são bastante plausíveis. Trata-se de uma leitura sobre a expansão do saber, onde absorvemos uma quantidade inimaginável de referências do mundo todo em um minuto brincando no nosso Pinterest enquanto falamos ao telefone ao som de uma música. A vontade de querermos mostrar que fazemos parte dessa miscelânea cultural vem na forma de uma enxurrada visual. É como se tivéssemos uma só chance de mostrar tudo o que sabemos em tudo que temos. E vale lembrar que aquele look mais descontraído com várias camadas soltas de tecidos e acessórios não significa desdenhar da aparência, pois é muito bem planejado através das sobreposições cuidadosamente desleixadas, ao estilo mendigo luxuoso das irmãs Olsen. Pois é, não é pra qualquer um.

E não é só uma questão de muito, mas de maior! A ideia é que precisa ser visível e inconfundível. A Vogue brasileira compilou esse conceito em um editorial contagiante com turbantes, anéis, colares, pulseiras, estampas, formas e cenário beirando o psicodelismo. Há uma dezena de ensaios fotográficos que priorizam lugares extravagantes, podendo inclusive contar com a companhia de animais exóticos, como flamingos, onças e pavão, um kitsch bem desejável para os dias de hoje. O que chama a atenção são os tamanhos nas peças, que ficam ainda mais aparentes nas tradicionais estampas, como pied-de-coq e a príncipes de gales, porém elas com seus desenhos realmente estourados no tecido. Também é fácil de encontrar muita mistura de animal print na mesma produção, além dos tons flúor. Outro ponto chave são os opostos, que claramente estão caminhando em paralelo: vemos shorts, saias e vestidos nunca antes na história deste país tão curtos, e ao mesmo tempo, comprimentos que chegam a tocar o chão e graciosamente esvoaçante.

Nada de meio termo. Importante ressaltar que desses micros, não são por ter pouco pano que devem ser sem graça. Bermudinhas e regatas com manchas, aplicação de tachas e paetês, valendo ainda o DIY – do it yourself. Foi o recado na revista para adolescentes Gloss, que propôs um editorial lembrando a Madonna na sua fase quase caricata em Who´s that girl? Condizente com a campanha da Morena Rosa e sua mulher com fartura, assim como na marca Dimy, um casual com um apelo bem forte de informação de moda.

Nessa perspectiva, os acessórios viram definitivamente os atores principais. Melhor exemplo disso são os maxicolares artesanais. Quanto maiores e mais coloridos, melhor, como são os produtos de Camila Klein, que cria uma miscelânea de cristais austríacos, tchecos, couro natural e Swarovski numa só joia. Ou na versão de bolas gigantes, numa intencional aparência bastante desproporcional. Aos adeptos aos anéis então, é tentador comprar um e parecer ter dois ou até três nos dedos, aqueles ao estilo soqueira, onde há uma variação ou repetição de elementos. Bastante de acordo com o trabalho de ourivesaria de Silvia Furmanovich com muita informação em seus pingentes, brincos, anéis, pulseiras, colares e abotoaduras com os mais nobres materiais. São elementos que viraram peça fundamental na produção, e ainda sem precisar se preocupar em combinar.

Aliás, o importante é exatamente descombinar, algo nem sempre fácil de fazer. Desse excesso, lembra Dolce & Gabbana que abusou nessa última temporada com seus brincos pendentes até o ombro e lenços coloridos de cabeça. E sobre últimos desfiles, eles estão dando o que falar. Nas coleções do inverno, não bastaram os volumes nas peças, foi necessário estar junto texturas e cores, com aplicação de pedras realmente grandes no vestuário, uma demasia que nem sempre agrada aos mais conservadores. Mesmo quando há tailleur, é posto uma infinidade de lantejoulas, paetês, canutilhos multicoloridos e inúmeras referências barrocas, vistas nos blazer de marcas como a Balmain. Para acompanhar nesse conceito, os relógios da Champion trazem diversas opções de cores e que podem ser trocadas as pulseiras. Do mesmo funcionamento, a linha de óculos também vem com a alternativa de trocar as hastes. E como não poderia deixar de mencionar, os óculos espelhados em cores cítricas que provocam amor ou ódio, encontrado na Absurda, mas também em marcas como Mikita, HB, Mormaii e Oakley.

E não é que as bolsas também voltaram a ficar enormes? Como se estivessem fora de proporção, a bolsa Hula da Chanel está – por incrível que pareça – sendo desejada. Algo mais cotidiano foi proposto pela Hermès na sua passarela. E mesmo as pequenas e antes esquecidas clutches possuem seu diferencial em materiais luminosos e inconfundíveis, de acrílico e pedrarias.

Já sobre os aviamentos, quem diria que até o elegantérrimo Christian Louboutin se renderia aos spikes. Na sua coleção, além dos conhecidos scarpins, há até botinas, mocassins e tênis cravejados. Inclusive a Melissa criou uma coleção bastante apropriada desse conceito. O strass e glitter são outros elementos muito adotados. Esses efeitos de brilho são vistos nas peças de Juliana Jabour, da mesma forma como algo elegantemente tropical, ao estilo Isabel Marant. Possivelmente o gosto pelo dourado é justificado aí.

Já nas maquiagens multicoloridas, percebem-se especialmente sombras que, para quem não tem o hábito de usá-las como eu, acha que é mágica conseguir usar uma variedade tão grande de tonalidades num espaço tão pequeno. Isso é verdadeiro também para os esmaltes, que quando é monocolor, prevalecerá a escolha de um fluorescente ou metalizado. Mas o melhor mesmo são desenhos ou o uso de mais de uma cor, ao menos no dedo anular se sobressai algo diferente.

A excentricidade extrapola inclusive nas bandas que surgem, algumas internacionais que tem um toque engraçado pra nós, como ficou o Gangnam Style. É, estamos definitivamente abertos ao K-Pop e num momento Harlem Shake, onde é tudo com todos e um pouco mais!

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