Insight  | 20.04.2015 | Marina Seibert Cézar

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Na contramão do pessimismo que parece senso comum em relação ao futuro do Brasil, percebe-se uma vontade de mudança vinda dos jovens que movimentam círculos sociais com atividades engajadas, atitudes colaborativas e mudam os padrões individualista do consumo do passado.

De forma bastante regular, ouço que o Brasil não tem jeito, porque se tal ideia fosse implementada aqui jamais iria funcionar, que brasileiro é tudo safado e assim por diante. Pois bem. Sim, nossa moralidade é fragilizada pela falta de reciprocidade social. Sim, temos ainda pouca empatia a ponto de achar que um problema da nossa região é responsabilidade nossa também. E obviamente sim, nossos políticos são na sua maioria, ultrajantes e sinônimos de vergonha pública. Mas também é verdade que problemas não ocorrem somente na nossa pátria amada, e que há muitas coisas bacanas que valem a pena perceber. E incentivar a fazer mais. É cada vez mais visível a vontade de mudança, em especial vinda dos jovens. Já me chamaram de otimista por causa desse pensamento. Prefiro pensar que é assim que naturalmente caminha a humanidade, pois nosso ponto de saturação com as barbaridades está perto do seu limite.

Na fonte principal de monitoramento de mudanças de comportamento, as mídias sociais, tenho um interesse incontrolável em saber os comentários mais curtidos sobre a notícia postada. E é só aguardar cerca de duas horas que aquelas inúmeras observações insensatas são abafadas pelos dois principais comentários bastante racionais e generosos. Há inúmeros sinais que possam parecer desconectados, mas na realidade todos falam sobre o bem coletivo, e o que repercute são pessoas que estão a fim de fazer a diferença. Ocorre um maior envolvimento político que ultrapassa as meras provocações online. Incentivo a produtos honestos, com preços justos e condizentes com o processo de fabricação no qual todas as etapas são humanizadas seria uma das faces dessa tendência. E aquelas que saem da linha são rapidamente divulgadas e tachadas como não amigas da sociedade. Coletivos independentes que organizam encontros para trocas de produtos que levam em conta um consumo mais sustentável também. São sempre realizados em locais abertos e sem restrição de público. Há cada vez mais jovens empreendedores propondo serviços com um viés colaborativo. Questionamentos sobre consumo excessivo e desnecessário baseado em aquisição de bens com uma vertente da cultura do participativo e do faça você-mesmo é um outro desdobramento deste fato. Assim como o aumento de pessoas interessadas em reivindicar que a política pública repense o transporte urbano para proporcionar uma melhor mobilidade onde não há somente o carro como meio de transporte. Tem até mesmo programas de televisão cujo intuito é adotar um espaço público e retornar para a comunidade ele revitalizado. É uma festa ao final.

E sobre ocupar os espaços públicos pela ótica de quem de fato deveria estar usufruindo, o colaborativo nesse sentido busca experiências e construção de significados. Em paralelo, a área que atualmente é a bola da vez é gastronomia. Desta matemática, resulta na popularização da comida de rua, que talvez seja a melhor representação desta questão, pois abraça os principais pensamentos vigentes: ocupar os espaços públicos e a comida! Mesmo que ainda tímido aqui, esse movimento está se espalhando através dos coletivos que ocupam as ruas com eventos em que, além de brechó, música, o que não falta é comida boa, como são os parklets. Assim como os food trucks e as barracas temporárias, provando que a alimentação deve estar mais acessível em todos os seus aspectos e que credibilidade não significa seriedade. Piqueniques noturnos que incentivam o uso de parques à noite e como boa desculpa, cada um leva seu lanchinho ou compra no local e ainda arrecada doações de não perecíveis para alguma entidade, como ongs de animais e asilos. É possível também aproveitar o momento da refeição para fazêla nos lugares mais inusitados, como vagões de metrô, barcos, galpão abandonado, antigos containers e assim por diante. A proposta que já está bem estruturada em Londres consiste em o local por si só fazer parte da experiência, com direito a música e interações artísticas. Há também os chefs independentes ou que respondem por algum restaurante, e que disponibilizam seus dotes culinários na casa de seu cliente. Trata-se de aproveitar o melhor de uma refeição bem elaborada, com preço justo e em um ambiente nada pretensioso. Restaurantes ao estilo pop-ups também estão chamando a atenção.

Este movimento de “gourmetização” invade outras áreas através da brincadeira com os nomes. Serviços dos mais variados estão pegando emprestados alguns termos. Hoje não é mais somente um salão de beleza que há também espaço para se depilar e faz as unhas, ou uma cafeteria que vende entre outras coisas, brigadeiros. Ou ainda um local onde é possível pedir um hambúrguer ou meramente existir uma prateleira dos frios e congelados em um mercado. Agora são: depilaria, esmalteria, brigaderia, hamburgueria, xisteria, iogurteria. Isso inclusive possibilita empreendimentos mais especializados. O que também explica a febre dos picolés artesanais mexicanos, digo, das paleterias, que estão encantando em todos os shoppings e centros de compras. Outra massificação são as opções de cervejas artesanais. Sem contar a quantidade de programas de televisão com este tema, sejam reality shows, apresentação de receitas, entrevistas sendo realizadas enquanto cozinham etc.

Sedentos por algo que traga significado, as pessoas querem se apropriar de suas cidades e compartilhar com outras a sensação de pertencimento. Elas querem fazer parte de algo maior, e nesta época ocorre uma infinidade de concursos (de sindicatos, centros comerciais, lojas etc) baseados na compra feita, que são ainda fundamentados em valores individualistas. Já foi o tempo de, por exemplo, dar um carro como prêmio em algum evento, pois isso vai na contramão do que as pessoas mais antenadas querem e se orientam para manifestar seus hábitos de consumo. É necessário não pensar mais em um único indivíduo, mas no coletivo. Em eventos abertos e gratuitos, é visível: as pessoas participam. Basta proporcionar. Porém, poucas empresas já entendem isso como um investimento – tanto para a publicidade da empresa como sendo amiga da cidade, como para o próprio espaço e convívio dos cidadãos. Há uma infinidade de encontros que os próprios moradores fazem, com troca de mercadorias, música ao vivo, comida, doações, feiras livres, reivindicações pacíficas para garantir a memória dos patrimônios como prédios antigos ou simplesmente com o propósito de curtir um bom papo. Imaginem uma empresa proporcionar essa base? #ficaadica

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