Movies  | 22.11.2013 | Krika Martinez

Hayao Miyazaki: um gênio sai de cena
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O cineasta japonês Hayao Miyazaki, fundador do Estúdio Ghibli, já foi reconhecido como “o novo Disney”. Mas o título sempre foi esnobado pelo diretor, que nunca gostou de ser comparado.

Quase sempre, quando falo de um diretor que adoro, fico dizendo que estou à espera do seu próximo filme. No caso de Hayao Miyazaki não posso falar o mesmo, mas apenas desejar que ele aproveite bem a sua aposentadoria (e que todas as pessoas vejam seus incríveis trabalhos em animação). O diretor nasceu em Tókio, no Japão, no ano de 1941 e, desde jovem, sabia que seguiria o trabalho de seu pai. Apesar de estudar ciências econômicas para trabalhar em uma fábrica que construía aviões, acabou arrumando um emprego de “intervalador” de desenhos animados. A função era criar os movimentos dos personagens entre uma cena e outra e serviu para descobrir algo que ele não sabia que tinha dentro de si: a paixão por contar histórias.

Depois de anos atuando nas animações de outros diretores, Miyazaki começou a pensar em produzir seus próprios desenhos. Foi em 1982, com “Nausicaä do Vale do Vento”, que ele viria a ser conhecido pelo seu primeiro trabalho. A produção foi criada ao lado de seus colaboradores, uma turma de jovens que, como ele, buscava crescer no universo da animação japonesa. O filme não foi exatamente um estouro nas telas de cinema, mas permitiu que Miyazaki criasse o seu próprio estúdio e conquistasse a liberdade de desenvolver seus roteiros.

Neste primeiro longa, a trama girava em torno de um mundo pós-apocalíptico onde um homem quer viver em um planeta devastado. Apesar de não devolver à produtora todo o dinheiro investido, a produção foi considerada como o “ar novo” que faltava na animação mundial, o que abriu espaço para mais e mais projetos de seu criador.

Depois da estreia elogiada, o trabalho do diretor começou a crescer até que, em 1986, chegou o longa-metragem “Meu Vizinho Totoro”, no qual o roteiro se baseia em uma família que se muda para uma região rural do Japão. No filme, o meu predileto de Miyazaki, vemos como o diretor trabalha o sentido da natureza, que ajuda os personagens através de seres especiais que só podem ser vistos pelas crianças. Com o filme, ele afirma que somente através da inocência dos mais jovens é que os homens conseguirão esquecer antigas rixas e voltarão a viver em um planeta sem poluição.

Com este filme, o estilo japonês de fazer animação entrou definitivamente na moda e o Estúdio Ghibli – fundado por Miyazaki – começou a ser reconhecido como “a nova Disney”. O título sempre foi esnobado pelo diretor, que nunca gostou de ser comparado. Nesta época, o japonês viajou pelo mundo e acabou se influenciando por outros lugares do globo. Desta forma, o universo oriental passou a receber mais e mais toques ocidentais, com direito a típicas casas italianas e campos e montanhas da Áustria. Entre 1989 e 1992, o diretor lançou outros dois filmes: “Serviço de Entrega de Kiki” e “Porco Rosso”, ambos com histórias incríveis e muita magia.

Japão encontra Hollywood

Mas foi em 1997 que ele ganhou seu lugar na historia do cinema com “Princesa Mononoke”. A trama contava a trajetória de uma jovem que foi criada por lobos e vivia dividida entre o mundo humano e sua relação com os animais. A produção fez tanto sucesso que suas dublagens, nos Estados Unidos, tiveram as vozes dos atores em alta na época, como Billy Bob Thornton, Claire Danes, Jada Pinkett Smith e Gillian Anderson. O filme ganhou mais atenção ainda porque, neste mesmo no ano, as estrelas de Hollywood começavam a fazer campanhas em prol do meio ambiente e era bacana ser uma espécie de voz que lutava pela natureza.

O mais importante é que “Princesa Mononoke” acabou se tornando referência do que se espera de uma produção capaz de agradar adultos, jovens e crianças. O longa-metragem ainda fez com que o cinema de animação mudasse seus conceitos de gênero, afinal nas histórias de Miyazaki as mulheres eram tão fortes quanto os homens. E vocês devem estar se perguntando o que mudou! Bem, pensem que em 1997 a Disney – mais importante estúdio de animação do mundo – estava lançando “Hércules” e, no ano seguinte, já tinha engatilhado “Mulan”, filme com a primeira princesa Disney que viria a lutar, numa guerra de verdade, pelo seu Japão livre e por sua família. Coincidência?

Depois de o filme ganhar as telas de todo o mundo e conquistar um público que não conhecia o poder da animação japonesa, Miyazaki teve a ideia de se aposentar pela primeira vez. Apesar da família ser a maior motivação, o diretor acabou chegando à conclusão de que ainda não era a hora certa de parar. A decisão não teve nada a ver com dinheiro, mas pelo fato de suas produções estarem fazendo exatamente o que ele queria: inspirando crianças, jovens e adultos a pensar na natureza como parte importante da vida cotidiana.

Oscar e consagração

Em 2001, chegaria “A Viagem de Chihiro”, onde vemos uma jovem menina mimada que fica infeliz quando seus pais anunciam a mudança para uma cidade do interior. No meio da viagem, a família se perde e vai parar em outro mundo, um lugar misterioso onde a garota tem que amadurecer sozinha e salvar o pai e a mãe que foram transformados em porcos. Uma história simples, mas de uma beleza tão incomum que parece realmente estarmos em outra dimensão. O filme bateu recordes de bilheterias em todo o planeta e ainda ganhou todos os prêmios da indústria, entre eles o Oscar de melhor filme de animação.

O sucesso havia chegado com força total e, em 2010, depois de lançar “O Castelo Animado”, o Estúdio Ghibli mostrou ao mundo o longa-metragem “Ponyo”, um verdadeiro e grande “tapa na cara” da Disney. Afinal, a americana se resignou a apenas distribuir o longa-metragem sem conseguir uma parceira criativa. Miyazaki até hoje é amigo de muitos animadores da Pixar – foi até mesmo colaborador simbólico em alguns desenhos – mas nunca foi convencido a fazer um filme completo para a produtora. Em “Ponyo”, ele pega a clássica história da “Pequena Sereia”, de Hans Christian Andersen, e a joga no Japão para falar sobre a tradição de respeitar as pessoas mais velhas.  A trama é tão boa que eu tenho vontade de ter filhos só pra mostrar esse filme pra eles!

Depois do lançamento, Miyazaki já havia conseguido diminuir suas horas de trabalho e sua família estava de acordo com o seu processo de criação, mas faltava alguma coisa em sua vida. Da inquietude, em 2013, veio “Kaze Tachinu” (2013) e, logo depois, a decisão de que este era o momento definitivo da sua aposentadoria. Neste filme ele conta a vida de Jiro Horikoshi, um designer de aviões, personagem real que foi fundamental durante a Segunda Guerra Mundial. A produção seria ainda uma espécie de homenagem ao seu pai, que trabalhava na indústria aeronáutica.

E engana-se quem pensa que este senhor que nos reensinou a ver a animação se aposentou para ficar em casa mofando. Na coletiva de imprensa que concedeu para anunciar sua retirada das telonas, e na frente de 600 jornalistas, Miyazaki declarou: “quero ser livre e fazer algo diferente da animação”. Durante a entrevista, o japonês falou que tem planos de trabalhar com os animadores do Estúdio Ghibli para que os profissionais possam aperfeiçoar seus traços e seus projetos. Além disso, pretende renovar o Museu Ghibli que, segundo ele, está abandonado e sem grandes novidades. Do alto de seus incríveis 72 anos de idade, o cineasta não pretende mais dedicar muitas horas de seus dias somente para animação, o que nos faz pensar que exposições e outras formas de arte podem estar a caminho.

Se como em todos os seus longas-metragens, Miyazaki admite que há um fim para tudo, o dele é agora. E que imagem ficamos do gênio japonês? De um homem que quis fazer filmes para dar esperança para crianças e adultos. Um homem de apenas um processo: pensar, pensar e pensar. Um homem que se define como artesão antes de diretor de cinema. Um homem humilde que nos ensina, em cada fotograma, que viver é ter balanço entre natureza e modernidade. Sim: o diretor não só mudou o cinema, mas colocou em cada um dos espectadores a sementinha de que temos que nos cuidar e termos respeito ao próximo. Um homem que merece se aposentar depois de realizar vários trabalhos para a humanidade.

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