Movies  | 07.04.2015 | Krika Martinez

Os Simpsons: 25 anos e frescos como nunca
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De forma inédita e recheada de ironia, uma série se transformou no maior exemplo de como a mídia do entretenimento impactou diretamente a sociedade e a cultura dos estados unidos – de quebra, do mundo.

Era a primavera de 1987 nos Estados Unidos quando o cartunista Matt Groening conseguia um espaço no programa “The Tracey Ullman Show” para mostrar, pela primeira vez ao grande público, as aventuras de uma disfuncional família amarela. Depois de acompanhar as tiras cômicas com os então desconhecidos personagens, o produtor televisivo James L. Brooks enxergou potencial no trabalho do criador e abriu seus olhos para desenvolver mais personagens com o sobrenome Simpsons. Juntos, eles acabaram criando toda a cidade de Springfield e seus moradores dando o pontapé inicial de uma das séries mais vistas na história da televisão. Sim, porque estamos falando de um antes e depois na televisão. Esta é a marca da animação na cultura norte-americana e no mundo.

Antes deles tínhamos os Flintstones, desenho que foi uma das bases para a criação da série de Groening. Com perfil bem diferente dos personagens de Bedrock, os Simpsons não refletiam a família americana típica dos anos 50 e sim o que todo mundo vivia em suas casas, mas tinha vergonha de admitir. O pai que não sabe tudo, ou quase nada. A mãe obcecada que faz de tudo para que todos sejam felizes e assim se torna uma pessoa obsessiva e compulsiva. A filha perfeita que sofre de depressão e gastrite por saber que não é perfeita. O filho horrivelmente mimado e rebelde, mas que na verdade tem um coração de ouro. E finalmente a caçula, que é doce e linda, mas ignorada por todos e, como na maioria das famílias normais e anormais, tem muito pouca voz.

A identidade dos Simpsons mudou com o tempo, assim como as tecnologias de animação. Ao acompanhar a série, fica clara a evolução dos personagens antes e depois da estreia do seu próprio programa. Para as tirinhas, eles tinham um formato pontiagudo, quase como seu caráter e humor cítrico. As formas corporais, mais arredondadas, chegaram à televisão para aproximar as pessoas reais dos personagens. O que não mudou com o tempo foram os dubladores que emprestam suas vozes aos personagens. Dan Castellaneta, Julie Kavner, Nancy Cartwright e Yeardley Smith representam, respectivamente, Homer, Marge, Bart e Lisa e estão presentes no desenho desde o seu primeiro episódio. Além disso, a série ainda consegue manter o recorde de maior número de participações especiais. Ao todo, são 947 vozes convidadas, entre atores, músicos, cientistas, esportistas e inclusive o Dalai Lama.

A série começou a ser parte da cultura americana nos anos 90, quando seu criador começou a misturar tudo, a vida real, o cinema e a música da época, na vida da pequena Springfield. Este foi o passo que levou a o desenho a ser uma referência mundial e continuar a impressionar o público até os dias de hoje. Uma das principais características do programa é beber diretamente na fonte de grandes obras das telonas ou de outras plataformas televisivas. Quando a atração começou a refletir a cultura pop do momento, acabou fazendo com que os telespectadores se identificassem mais e mais e soltassem gritos no sofá da sala: “essa cena é do Indiana Jones!”. A minha referência predileta é quando apareceram os personagens Fox Mulder e Dana Scully, do seriado cult “Arquivo X”.

ANARQUISTAS EM HORÁRIO NOBRE   Matt Groening sempre afirmou, desde o primeiro episódio, que os Simpsons são a contracultura no horário nobre da televisão. Mas não se iludam, muito do que vem acontecendo na série nos últimos cinco anos são espaços publicitários para a divulgação de novos produtos! A faca de dois gumes é muito bem pensada e amarrada ao roteiro para ficar dentro do limite do que se pode ou não fazer no programa. Afinal, há de se manter uma linha clara entre o que se pode vender e fazer graça ou o que se deve esquecer.

Para mim, a atração se transformou em um seriado que dá o tapa e depois sopra para não doer. A maneira como todos nós rimos das nossas penas familiares ou culturais sendo transpassadas de forma irônica e exagerada na tela de televisão nos ajuda não só a passar um bom momento, mas também a pensar se o que estamos fazendo é correto ou não.
  Um bom exemplo é episódio “Blame It On Lisa”, onde toda a família viaja ao Brasil para conhecer o menino adotado à distância pela menina. Claro que o Brasil retratado não é o que vivemos, mas é muito mais divertido rir da ironia usada pela série do que pela realidade que se lida no dia-a-dia. E amigos, isto não é só no Brasil, porque a família Simpson já viajou por todo o mundo. Eles já passaram por lugares como Egito, Marrocos, Tanzânia, Bélgica, França, Reino Unido, Islândia, Irlanda, Itália, Suíça, China, Índia, Israel, Japão, Rússia, Aruba, Canadá, Cuba, México, Peru, Austrália e até Antártica. E todos estes países foram recriados usando o extremismo e a ironia dos seus problemas da vida real.

Para terminar este artigo uso as palavras do historiador cultural inglês Christopher Cook. “A definição de pós-modernismos é a estética das citações. Em outras palavras, a cola que junta todos e qualquer referência. Junte a isso o humor e a ironia e vocês encontrarão nos Simpsons um exemplo de pós-modernismo.” E se vocês ainda não estão certos de todo este poder em apenas uma série de animação, mandem um e-mail a Homer Simpson e perguntem como ele continua na televisão depois de tanto tempo: chunkylover53@aol.com.
A SÉRIE EM NÚMEROS:
* 561 capítulos
* 12.231 minutos
* 4 dedos nas mãos de todos os personagens da serie, com exceção de Deus e Jesus, que tem 5
* 33,6 milhões de telespectadores assistiram ao capítulo de maior audiência da série
* 3,4 milhões de telespectadores assistiram ao capítulo de menor audiência
* 55 é o coeficiente intelectual de Homer
* 1991 é o ano em que Michael Jackson participou do programa e gravou uma musica com Bart que alcançou o número 1 da revista Billboard
* 500 milhões de dólares é o que se calcula que Matt Groening possui como fortuna pessoal
* Com tantos números, o que gerou a série em tantos anos? No total, foram 27 prêmios Emmy, uma estrela na calçada da fama e o meu fato predileto sobre o programa: o bordão de Homer “D’oh!” está presente no dicionário de língua inglesa da universidade de Oxford. De alguma maneira, a atração tinha que ficar não só na historia da televisão e da mídia, mas também na linguagem de uma época.

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