Movies  | 25.04.2013 | Krika Martinez

Quero ser uma mosca no tapete vermelho de Valentino
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Cenas de Valentino, the last emperor.


Sabe quando se fala sobre os grandes imperadores da história? Napoleão, os césares de Roma, Constantino, Dom Pedro ou mesmo o pinguin imperador e sempre terminamos dizendo: "queria ser uma mosca para ver o que acontecia nos castelos e nas masmorras do império..."


Pois neste documentário não somos só uma mosca no reino de Valentino. Somos a mosca, a auxiliar de costura e o melhor amigo do estilista. Que Valentino é um dos grandes estilistas que o mundo da moda teve o prazer de conhecer não é novidade. A novidade é que uma pessoa que nunca abriu sua vida privada para a imprensa permita que façamos um vôo sobre a sua intimidade e que vejamos os melhores e os piores momentos dos seus dois últimos anos como estilista. Um nome que virou sinônimo de cores e de beleza.

É um dos últimos grandes que deixa o mundo da moda e que marca a sua história num documentário autorizado. Ou quase. Segundo o diretor Matt Tyrnauer, existem mais de 250 horas de vídeo que não foram editadas e muitas versões do filme que foram rejeitadas pelo estilista. Foram quase seis meses de re-edições e a incerteza de ver luz num projeto que tinha que ser aprovado por Valentino e seu companheiro.

Porque o documentário não é apenas sobre o estilista. E, sim, sobre a indústria que o seu nome cria. E mostrando esse seu mundo dos negócios, somos apresentados a Giancarlo Giammetti. Parceiro de vida sentimental e mão direita no trabalho. Quando conhecemos Giancarlo, percebemos que este documentário foi pensado e planejado para marcar os momentos finais do grande império. Onde Valentino é o imperador e Giancarlo é o general de seu exército. Aquele que está sempre atrás das câmeras e atrás das cortinas, mas que é a peça fundamental para que toda a visão e a arte de Valentino se transformem em vestidos que marcam épocas e o imaginário das pessoas.

O trabalho dos dois é tão completo que um entende o que o outro quer dizer sem mesmo se esforçar. Uma coisa muito clara no filme é que sem a apresentação de Giancarlo, Valentino seria só mais um senhor excêntrico que faz vestidos lindos. Giametti deixa claro durante o documentário. "Valentino não sabe o que está por trás de tudo isto." E graças aos deuses da moda que a coisa funciona assim. Imagine se o próprio estilista tivesse que se preocupar com o preço do tecido, as luzes do desfile, ou escovar os dentes dos seus cachorros...  nada na moda seria o que é.

É isso que faz dessa dupla um casal perfeito do mundo da moda. Mas nem mesmo eles, apesar de todo o trabalho de gestão e a incrível visão, foram capazes de prever o peso das decisões econômicas. E aqui o documentário consegue captar uma coisa que toda a imprensa não conseguiu no momento em que estava acontecendo.

A venda da empresa é apenas um dos sinais de que o estilista, sim, estava se despedindo das passarelas. No filme, desde o início, o espectador sente que está sendo preparado para uma grande despedida. Nada pode ser tão claro quanto as imagens captadas pelo diretor e sua câmera no momento da venda da empresa.

O que no mundo da moda foi visto como uma perda, no filme é refletido como férias prolongadas. Porque a genialidade e a gestão deste império precisavam de férias. Em determinado momento, Valentino diz a uma repórter: "ou estou envolvido em tudo ou não me envolvo". É o casal que diz isso. É o casal que abre sua história para que vejam que existe uma vida de glamour e de luxo, mas que já não é tudo para eles. Todos precisam férias, inclusive os imperadores. Se não fosse assim, não existiriam tantos castelos espalhados pela Europa, não é?

O documentário foi apresentado no festival de Veneza em março de 2009 e agora parece estar chegando ao mundo dos mortais. A presença nas exibições do filme foi o último trabalho do Imperador Valentino.

Antes, a película era uma peça para curiosos do mundo da moda, mas a excelência do trabalho do diretor Matt Tyrnauer faz com que o filme se transforme em um prazer. Vai além da capacidade de gostar ou não da moda: o filme é linear, mostra o que está por trás de coisas tão complexas e simples na vida de uma pessoa que poderia ser o vizinho ao lado, mas que, casualmente é um estilista que busca sempre a perfeição. Seja na pose de um cachorro para uma foto ou no ponto de costura de um vestido.

Quarenta e cinco anos de carreira resumidos em um desfile de moda. O último desfile. Um ano inteiro trabalhando para um momento que acaba muito cedo e que ficou imortalizado em um documentário que demonstra não só a genialidade deste estilista, mas sim como ele está rodeado dos melhores.

O filme não deixa de mostrar as diferentes facetas do estilista. As boas e doces lágrimas de agradecimento, as palavras de carinho com os mais próximos e a fúria quando a sua visão não é entendida. Uma linha de discurso fantástica que vai do humor do cotidiano, passando pelo drama dos últimos detalhes de um desfile.

E isso só consegue um diretor disposto correr atrás de uma lenda por quase dois anos. A todo o momento, ele está armado pensando muito bem o que dizer e o que mostrar. Um diretor que foi fazendo espaço dentro do cotidiano de uma estrutura tão preocupada com o detalhe que não deixa qualquer um entrar no seu mundo. Um diretor que se transforma numa mosca e que nos permite ver e viver os últimos momentos deste império.

Até porque o sentimento que fica é de que o imperador voltará... com seus generais e seus soldados... depois de umas longas férias... em alguma casa de campo talvez no sul da França!

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Concordo com o termo de uso.
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