Movies  | 26.04.2013 | Krika Martinez

Quem matou Laura Palmer?
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Twin Peaks é a série de televisão que mudou a historia da televisão. E PONTO FINAL!
OK !!!!  Eu explico porque, mas só assistindo pra entender de verdade!


A série estreou na tevê americana há exatos 20 anos. Mais ou menos dois anos depois, chegou na tevê brasileira. Ainda que na época os espectadores não podiam se dar conta, hoje sabemos que Twin Peaks formou a maneira de ver e entender as séries de TV de meio mundo. Afinal, um projeto tão bem preparado, com uma estética única e um trabalho de roteiro tão bom tinha que deixar uma marca no inconsciente de cada um dos seus espectadores.

Até os anos 90, apenas 10% das séries tinham um enredo que se desenvolvia durante toda uma temporada (média de 10 a 15 capítulos). Parem para pensar. MacGyver começava com um vilão e o vilão acabava preso ou morto por uma cenoura que tinha sido transformada em arma com um clip de papel e algumas borrachinhas. A CBS, empresa que deu o tiro inicial na série, vinha tendo baixíssimos níveis de audiência e não tinha nada fresco para colocar na grade de programação.

Aí alguém teve uma ideia. “Vamos convidar um diretor de cinema para pensar em alguma coisa diferente!” e outro executivo, dessa mesma empresa, disse: “Vamos convidar o David Lynch!”

Nesse momento, David Lynch, um diretor de cinema, FANTÁSTICO, mas incompreendido pelo grande público, entrou no projeto que marcaria para sempre a televisão. Lynch se juntou com o escritor Mark Frost e começaram a escrever alguma coisa. E só os deuses sabem o que esses dois tinham na cabeça para criar “alguma coisa” tão surrealista.

O resultado foi uma série de mistério que bebe na fonte do cinema noir, com requintes supernaturais, de ritmo lento e com personagens saídos do manicômio. Estranho? Diferente? Calma a coisa só começou!

Só na primeira temporada temos: sonhos que são apresentados de traz pra frente. David Lynch como ator. Gigantes. Anões dançantes. Lhamas. E a lista podia continuar e continuar.

A série era tão diferente do que se estava apresentando no momento que, numa primeira exibição teste do episódio piloto a um grupo de jornalistas e críticos de TV, a série foi tachada como “estranha demais para ir ao ar”!

Depois, quando o ibope confirmou o sucesso da série, o discurso dos jornalistas mudou para: “fantástico! Lírico. Fresco!” E os executivos da CBS diziam coisas como: “sim, nos estávamos preparados para o risco de dar errado, mas não podíamos deixar de trazer algo tão bom para a TV”. Eles estavam realmente preparados. Criaram inclusive um final para o capítulo piloto que, no pior dos casos, seria vendido como um filme para televisão europeia.

A série era tão inovadora que sequer tinha um gênero definido. Era drama, romance, comédia? Ninguém sabia, ou era capaz de imaginar, o que viria no próximo episódio.

O que faria com que as pessoas gostassem tanto deste produto era culpa dos seus criadores. Lynch e Frost ficariam famosos para a história não só pelo seu talento, mas também pela sua total falta de respeito pelas opiniões da emissora que estava investindo dinheiro no seu projeto. Os dois recebiam memorandos com indicações que eram completamente ignoradas. A ordem na primeira temporada da série era liberdade criatividade TOTAL.

E graças aos deuses do cinema e da televisão a série deu mais do que certo! E acabou se firmando entre o público americano e foi ganhando mundo. Uma série que nasceu com um primeiro capítulo que não explica nada, que em 45 minutos de produção só mostra uma porção de personagens que sofrem de pela morte de Laura Palmer. Mas que com apenas 5 minutos lançou a pergunta que todos repetiriam: Quem matou Laura Palmer?

A pergunta estava na boca de meio mundo. Se em algum momento você parou pra falar com um companheiro do trabalho sobre o que aconteceu no último episódio de Lost, você deve isso a Twin Peaks.

Foi a série que deu forma ao mistério televisivo. Foi ela que criou fãs fiéis a um conceito, a uma resposta partida em vários episódios. Onde descobrir a verdade junto com os protagonistas é só um dos sabores. E a coisa foi crescendo. Os criadores da série estavam nas capas de todas as revistas. A revista Time denominou David Lynch como o Rei do Bizarro. Rolling Stone deixou os músicos de lado e colocou as musas da série na sua capa. Revistas especializadas em TV procuravam escritores famosos para que eles tentassem adivinhar o futuro da série.

E o público começou a criar grupos de discussão. Parece que nessa época, nos EUA, as famosas Cherry Pies, prato predileto do protagonista da série, desapareceram das prateleiras dos supermercados e eram o prato mais pedido nos bares. Os donuts viraram a comida típica dos policiais. Pedir um Black Joe era a nova maneira de pedir um café. E continua sendo até hoje! Twin Peaks se transformou tão rapidamente num objeto multimídia que as pessoas não só viram a série na TV. Tinha jornais, número de telefone onde se explicavam os últimos acontecimentos, livros, revistas e até mesmo uma coleção de postais.

E você está pensando: tá, e daí? Pois a coisa é que antes isso não existia. Existiam fãs de séries e produtos criados a partir delas. Mas nada como o imediatismo e a grandiosidade de Twin Peaks.  

O impacto na vida televisiva dos americanos foi tão grande que até a série infantil Vila Sésamo fez um programa com personagens inspirados diretamente em Twin Peaks. Kyle MacLachlan participou no programa Saturday Night Live e os índices de audiência do programa foram tão altos que levaram dois anos para serem batidos. Até Homer Simpson cita a série. Era tal a abrangência que os atores inclusive gravaram comerciais de bebidas energéticas para o Japão.

Mas assim como a série subiu aos céus de forma vertiginosa, caiu abrindo um rombo que não havia maneira de tapar. E assim ensinou a regra básica para todo aquele que quisesse realizar uma série de TV de sucesso.

NUNCA revele o segredo.

No caso de Twin Peaks, o segredo era a resposta à pergunta que todos estavam se fazendo. Quem matou Laura Palmer? Quem viu a série sabe que a partir da segunda temporada, especificamente depois do capitulo 9 a história perde rumo. E isso porque a pergunta que movia a América tinha sido respondida.

Os criadores da série estavam sendo muito pressionados pelos executivos da CBS para revelar o grande mistério. A segunda temporada foi ao ar numa época confusa da TV americana. A guerra do Golfo era a primeira guerra que se transmitia ao vivo pela TV. E os Estados Unidos estava literalmente voltados para essa novidade. Assim, todo o restante da programação, que não a de guerra, estava perdendo espectadores e resolveram revelar o mistério pensando que assim o público reagiria voltando a assistir a série. Só que foi totalmente ao contrário.

Degringolou... porque simplesmente sabendo quem matou a jovem Laura não havia mistério a ser resolvido e a série se transformou numa novela de gente muito estranha e mega esquisita. Todos os personagens secundários que davam vida à grande pergunta de quem era o assassino perderam força. A cidade, que era um dos personagens principais, simplesmente deixou de ser interessante para ser uma coleção de figurinhas repetidas.

Nesse momento, Mark Frost e David Lynch já estavam ligados a outros projetos. Continuavam presentes na criação dos novos enredos de Twin Peaks, mas a falta de total liberdade de criação e a obrigação pela CBS de números positivos como os da primeira temporada esfriou sua participação na série. Lynch querendo mudar a situação voltou para reescrever os dois últimos episódios e dirigiu pessoalmente o último. Mudou tão drasticamente o mundo de Twin Peaks que muitos pensaram que a série renasceria numa terceira temporada.

Mas todas as novidades não conseguiram atrair o publico e a série terminou com um mistério maior que o de quem matou Laura Palmer.

Mas a coisa não parou por aí... A televisão havia se transformado em arte. E este foi o resultado mais positivo de Twin Peaks. Depois da série, os realizadores se deram conta de que se pode pensar mais além do preenchimento de tempo na televisão e criaram séries até hoje inigualáveis como Arquivo X, Carnivale, My so Called Live e Dexter. David Lynch sempre é perguntado se trará de volta Twin Peaks e a resposta é sempre a mesma.

NÃO.

Não é difícil de entender porque ele é tão direto na resposta. A experiência de passar cinema para as telas de TV começou como algo único. Era basicamente um filme por semana. Liberdade criativa ilimitada. O sonho de todo cineasta. Mas acabou no pesadelo das audiências, do dinheiro e da fama.

O formato de Lynch e Frost foi aprendido pelo meio e os seus realizadores. Se não fosse por eles, séries como Band of Brothers, Skins ou Lost não existiriam hoje. Canais como a HBO não seriam criados. E nós espectadores... ok... teríamos mais tempo livre para passear pelo jardim, mas não teríamos assunto para a hora do café no trabalho.

Depois de 20 anos o mito segue vivo. Edições especiais de DVD da série serão lançadas. Diretores e atores estão sendo procurados para entrevistas. Inclusive o Twin Peaks Fest (reunião de órfãos da série que se encontram periodicamente em Fall City) tem uma programação especial para os 20 anos da série – o evento este ano, de 6 a 8 de agosto, já tem até confirmada a presença do “Anão do Outro Lado”.

Pra quem não entendeu nada, mas ficou com vontade!

A série está centrada no agente nada convencional do FBI, Dale Cooper, e na sua investigação sobre um assassinato numa pequena comunidade do noroeste dos Estados Unidos. Twin Peaks é uma cidadezinha onde nada acontece até que acontece!  A vítima Laura Palmer é encontrada enrolada em plástico às margens do lago local. E o que parecia uma cidade normal vai se revelando num mundo estranho com gente esquisita onde um assassinato não é a coisa mais bizarra que pode acontecer. Cooper vai se integrando a esta comunidade e a comunidade vai se revelando. Nós telespectadores temos o prazer de viver e ver um mundo único. Onde a fotografia e a estética do cinema e da TV se misturam num perfeito nível capaz de segurar falas tão estranhas e reveladoras como:

“Um dia o meu tronco terá muito o que dizer sobre isso!”

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Concordo com o termo de uso.
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