Architecture  | 12.02.2015 | Juliana Berwig

Mi casa, su casa, lojas que parecem lares
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Boutique Dries Van Noten.

Com inspiração no aconchego do lar e nas mobílias cheias de recordações familiares, lojas de algumas das marcas mais desejadas do mundo apostam em espaços exclusivos e envoltos em uma delicada aura de requinte. 

Um livro deixado sobre a estante, um casaco sobre o sofá ou uma xícara de chá apoiada sobre um balcão... Na sutileza de detalhes que remetem às melhores lembranças da vida doméstica, muitos estilistas cultuados estão investindo em ambientes que mais parecem uma sala de estar, com direito a roupas espalhadas pelos cantos e outros detalhes que não passam despercebidos aos olhares mais sensíveis. Para evidenciar a exclusividade dos produtos em exposição, os cenários apostam em elementos com um refinado toque pessoal para estabelecer uma conexão mais imediata com quem se sente intimidado pelo excesso de vidros, metais e toda a impessoalidade dos pontos de vendas tradicionais. Com a intenção de deixar a atmosfera com um calculado ar acolhedor, as marcas recrutam arquitetos e cenógrafos e não deixam de fora o estilo pessoal de seus próprios criadores.

Ao passar em frente a um antigo prédio com vista para o rio Sena, em Paris, muitos transeuntes apressados jamais imaginariam que o local abriga uma das lojas mais sofisticadas da capital francesa. No número 7 do Quai Malaquais, Dries Van Noten montou um espaço único onde o mais desavisado dos consumidores pode acreditar que está em uma bela e aconchegante casa, repleta das mais doces memórias de seu dono. Pela loja do designer de origem belga, uma miscelânea de objetos decorativos e cobiçados vestidos e acessórios exclusivos dão o tom, favorecendo um clima descontraído e propício a compras regadas por conversas descompromissadas e goles de café. O requinte fica por conta de uma mesa da época de Napoleão, uma pintura de Marc Mendelson, almofadas de veludo dos anos 20 e cortinas de um intenso amarelo.

“Decorei a loja como se fosse a minha casa. Para mim, é muito importante que as roupas estejam dentro do contexto correto”, declara Van Noten, conhecido por pensar seus espaços com meticulosa afetação. O gosto pelo conceito foi tanto que, na mesma rua, apenas alguns metros à frente, o belga abriu seu segundo ponto de venda na cidade, desta vez dedicado ao público masculino. Com a mesma proposta, o local – que ocupa o lugar de uma antiga galeria de arte primitiva – preza por uma decoração executada para fazer o visitante se sentir em uma autêntica residência francesa. Em ambos os espaços, o estilista contou com a ajuda de Geert Voorjans, conceituado designer de interiores. “As empresas estão lentamente começando a perceber que ambientes menores são mais personalizados. Estamos todos cansados de caixas brancas e cheias de holofotes”, destaca o especialista em morar bem.

Riqueza de elementos

A intenção de criar uma sutil intimidade com os clientes também é visível em uma das mais celebradas lojas da criadora americana Tory Burch. Em meio à obra em seu próprio apartamento, a estilista decidiu investir em uma loja com ares domésticos – mas nem por isso meno luxuosa – em pleno coração de Nova York. Durante uma de suas conversas com o arquiteto Daniel Romualdez, ficou claro que a ambientação do ponto de venda seria uma extensão de seu próprio lar, com amplas janelas no lugar de vitrines. As luminárias imponentes, assim como cortinas pesadas e objetos de arte pelos cantos dão o tom de cada um dos cinco andares do espaço. Até mesmo uma deliciosa varanda com ares de jardim de inverno chama a atenção no elaborado projeto, que encanta pela riqueza de elementos e pelo cuidado com os detalhes.

Em seus pontos de venda em outras partes do mundo, o estilo se repete, mas com diferentes nuances estéticas pensadas para cada público, de Seul a Londres. Na cobiçada região dos Hamptons – situada no litoral da costa leste americana – a regra é a mesma, mas com a visível intenção de fazer com que o consumidor sonhe com o mais perfeito recanto de férias. “O espaço foi projetado para fazer as pessoas imaginarem como seria a casa de praia dos seus sonhos”, comenta Tory. Apesar do esforço em não exaltar o tradicional mobiliário de uma loja, as peças ganham destaque em delicadas araras metálicas embutidas nas paredes em tons de verde escuro ou adornadas por papeis de parede florais. Em alguns cômodos, roupas e acessórios repousam em móveis espelhados ou em tons de laranja, cor símbolo da grife feminina.

Lifestyle carioca

Na beira da calçada, sem qualquer interferência visual e muito menos opressivas vitrines, um espaço não passa despercebido por quem caminha pelo mais famoso bairro do Rio Janeiro. Em uma área de 320 metros quadrados na Rua Garcia D’Ávila, a Grendene convida os clientes a não se importar com a areia nos pés e sentar no sofá da Casa Ipanema sem cerimônias. O local – que comercializa produtos da marca homônima – sintetiza todo o conceito da marca, conhecida por seus chinelos de borracha imbuídos pelo lifestyle carioca em sua essência. Para conceber o aconchego planejado do espaço – assinado pelo festejado escritório Pascali Semerdjian – o investimento da empresa foi de cerca de R$ 5 milhões, entre o desenvolvimento do conceito e suas instalações.

Muito além de ser uma plataforma para mostrar ao mundo o universo colorido da grife, a loja tem um objetivo audacioso: retratar a casa de um típico morador de Ipanema. Para dar veracidade à ambientação, o espaço conta com objetos de personagens marcantes do bairro, como Isabel Jobim, Diana Couto e Roberta Figueiredo. De acordo com os idealizadores, a proposta é conferir personalidade ao lugar que, além de reunir os lançamentos de cada temporada, ainda oferece uma andar inteiro para customização de produtos e uma área para exposições. O jeito irreverente de “receber” as visitas é tanto que até mesmo palestras e cursos para grupos pequenos são realizadas no local. Além disso, peças de vestuário selecionadas de marcas de beachwear compõem o visual do “lar”.

“A construção de marcas que tenham uma relação privilegiada com os clientes é um processo longo e cumulativo e ‘morar’ nas proximidades do consumidor, que é icônico para a mesma, é fundamental para entendê-lo e melhorar o relacionamento”, observa Francisco Schmitt, um dos diretores da Grendene. O executivo destaca que a grife Ipanema foi concebida pela calçadista há 14 anos, inspirada na atmosfera alegre e irreverente do bairro carioca de mesmo nome. “Nossa proposta de valor é apoiada em um portfólio de marcas muito fortes, construídas ao longo dos anos com iniciativas como essa. Uma marca forte tem que conviver com os seus consumidores, trocar experiências e vivências para melhor atender suas expectativas”, afirma.

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